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Brasil: Primer dia de huelga de funcionarios publicos, debil en Brasilia y sorprende por su fuerza en el resto del pais. Lula hace concesiones

09.07.03

Fraca na Esplanada, greve surpreende nos Estados
Adesão foi pequena em Brasília, mas diversos órgãos federais foram paralisados nos Estados

BRASÍLIA - O comando de greve dos servidores públicos festejou ontem o resultado do primeiro dia do movimento convocado contra a reforma da Previdência. Na avaliação dos sindicalistas, a adesão foi parcial, porém mais forte do que o esperado. Apesar de fraca na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, a paralisação foi ampla nos Estados e atingiu a Previdência Social, a Fundação Nacional de Saúde, as universidades e as escolas técnicas, além de órgãos com menos tradição, como a Receita Federal, o Banco Central e até a Polícia Federal.

“Das últimas greves, é a maior que temos no primeiro dia”, afirmou o coordenador do Sindicato dos Servidores das Escolas Técnicas, Manuel Porto Júnior. De acordo com a avaliação do comando de greve, constituído ontem por 11 entidades representativas do funcionalismo, cerca de 45% dos 600 mil servidores civis em atividade aderiram ao movimento.

“Em alguns casos, ultrapassou nossas expectativas, e a tendência, daqui para frente, é de crescimento, inclusive com adesão de servidores estaduais”, disse o vice-presidente do Sindicato Nacional dos Docentes do Ensino Superior (Andes), José Domingues. Segundo ele, o pico do movimento deve ocorrer em agosto, antes da votação da reforma previdenciária no plenária da Câmara.

Na Previdência, segundo o comando de greve, 70% dos funcionários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) já estão em greve, enquanto nas universidades o movimento foi deflagrado em cerca de 30 unidades do País, tanto por parte dos professores, quanto dos funcionários técnico-administrativos. Em metade desses locais a paralisação está coincidindo com as férias de inverno. Nesse caso, os docentes ameaçam reter os conceitos do primeiro semestre.

Servidores cruzam os braços em quase todo País
No Rio, paralisação total na PF e INSS; em São Paulo, Receita e agências da Previdência fecharam

Os servidores públicos federais saíram às ruas ontem em quase todo o País na maior mobilização já realizada contra a reforma da Previdência. Em diversos Estados, milhares de funcionários deflagraram greve e fecharam as portas de repartições.

No Rio, segundo o comando de mobilização dos manifestantes, a paralisação foi total na Polícia Federal e no INSS. Em São Paulo, a paralisação atingiu a Receita e agências da Previdência Social. Em Cuiabá, praticamente todos os órgãos públicos federais não atenderam - a paralisação atingiu a PF, a Universidade Federal de Mato Grosso, o Centro Federal de Educação Tecnológica, a Receita e postos do INSS.

Em Belo Horizonte, a greve paralisou atividades no Ministério da Fazenda, na Fundação Nacional de Saúde (Funasa), na Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) e no Ministério da Saúde. De acordo com o Sindicato dos Fiscais do Estado (Sindifisco) foram interrompidas também as ações de fiscalização. A manifestação contou com adesão de funcionários do Banco Central e da PF.

Cerca de 50 entidades participaram da manifestação.

Apenas cerca de 700 servidores - segundo estimativa da Polícia Militar - dos 120 mil funcionários federais no Rio participaram do ato contra a reforma na Cinelândia, no centro, mas a Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condesef) avaliou que 55% da categoria aderiu ao primeiro dia da greve nacional. Na PF e no INSS a paralisação atingiu o serviço de emissão de passaportes. Em outras instituições, como o Ministério da Agricultura, Ibama, IBGE, Funarte e Datasus, mais de 90% dos servidores participaram.

Não houve expediente nas agências da Receita em todo o Estado, de acordo com o diretor da União Nacional dos Fiscais (Unafisco), José Carlos Alves. O diretor do Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Federal, Gilmar Cabral, afirmou que nenhuma categoria suspendeu atividades consideradas essenciais.

Bonecos - A passeata reuniu cerca de 250 pessoas.

Os manifestantes carregavam faixas contra a reforma e bonecos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro da Previdência, Ricardo Berzoini, acusados de traidores.

Durante o ato na Cinelândia, o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) no Rio, Jaime Ramos, foi vaiado ao sair em defesa da reforma. O sindicalista ressaltou que a central apóia a greve, embora, ao contrário do comando nacional, não queira a retirada da emenda, mas a mudança de pontos da proposta encaminhada ao Congresso.

Em Salvador, milhares de pessoas foram prejudicadas pela greve. Os postos do INSS fecharam, o Tribunal Regional do Trabalho não funcionou e os hospitais federais só atenderam a casos urgentes. Os professores e funcionários da Universidade Federal da Bahia decidiram aderir à greve, mas por tempo determinado.

Em Porto Alegre, os deputados federais gaúchos que se manifestarem a favor da reforma terão suas fotos e nomes expostos num dos locais mais movimentados do centro da cidade, o Largo Glênio Peres. O painel foi montado durante ato que reuniu 3 mil pessoas, segundo cálculo da CUT.

Em Curitiba, cerca de 300 servidores federais e estaduais fizeram manifestação nas escadarias do prédio da Universidade Federal do Paraná.

Vários órgãos decretaram paralisação de dois ou três dias. Policiais federais aderiram ao protesto. Os servidores receberam apoio dos funcionários da Receita Estadual, que também paralisaram os serviços. O deputado estadual Tadeu Veneri (PT) participou da manifestação.

Governo estuda manter aposentadoria integral

Idéia é preservar privilégio para os atuais servidores e instituir limite apenas para futuros funcionários

BRASÍLIA – No primeiro dia de greve dos funcionários públicos contra a reforma da Previdência, o Palácio do Planalto anunciou que estuda manter a aposentadoria integral (igual ao salário da ativa) para os atuais servidores. A idéia é que apenas os futuros servidores tenham benefícios limitados ao teto de R$ 2,4 mil – a partir desse valor, terão de contribuir para um fundo de previdência complementar, caso queiram ter benefício maior.


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